conductor | artistic director
Cinthia Alireti atua como Diretora Artística e Regente Titular da Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) desde 2012. Com presença ativa em palcos do Brasil, Europa e Américas, transita naturalmente pela música contemporânea, a tradição sinfônico-operística e a performance histórica. Destaca-se pela interpretação de diversos títulos do repertório lírico padrão — como La traviata, L’elisir d’amore e O Morcego — além de estreias de música contemporânea e concertos com instrumentos de época.
É fundadora e coordenadora do fórum Gestão de Orquestra e Compromisso Social, referência nacional no setor, e de diversas ações de alcance sócio-cultural e promoção da música de concerto.
Doutora em Regência pela Jacobs School of Music (Indiana University), Alireti possui mestrado em Musicologia pelas universidades de Saarlandes (Alemanha) e Paris-Sorbonne. É graduada em Composição pela Universidade de São Paulo.
Conectar a sala de concerto à sociedade exige mais do que música, exige um compromisso com o engajamento e o desejo de alcançar públicos diversos. Desde 2015, esta iniciativa é reconhecida nacionalmente como um espaço dedicado ao compartilhamento de ideias sobre as complexidades da gestão e produção musical, especiamente orientado para orquestras regionais e independentes no cenário brasileiro. Ao garantir a sustentabilidade de longo prazo de projetos culturais e buscar a melhoria das condições profissionais em todo o setor, o fórum fomenta conexões vitais entre os agentes do ecossistema da música para explorar como ela pode servir como uma ferramenta poderosa para a transformação social e a construção de comunidades.
Desde a temporada de 2013 da OSU, as produções colaborativas de ópera entre a Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU), o Opera Studio da Unicamp, a Cia. Ópera São Paulo e diretores de cena reconhecidos têm redimensionado o cenário lírico no interior de São Paulo. Mais do que meras apresentações artísticas, essas iniciativas funcionam como uma fonte vital de crescimento educacional e transformação social. Ao levar produções completas ao público, o projeto democratizou o acesso ao gênero, permitindo que plateias diversas vivenciem a grandiosidade da ópera.
Produções memoráveis como La Traviata, Die Fledermaus (O Morcego), L'elisir d'amore (O Elixir do Amor), A Flauta Mágica e Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro) transformaram o palco em um espaço de engajamento comunitário e de formação de novos talentos. Esse compromisso contínuo garante que a riqueza da ópera permaneça como um patrimônio compartilhado e acessível a todos.
A Varinha Mágica é um concerto didático e roteirizado, idealizado por Cinthia Alireti para oferecer uma perspectiva lúdica sobre os sons e instrumentos da orquestra para públicos de todas as idades. Por meio de uma narrativa imersiva e interações surpreendentes da orquestra, a maestrina usa sua batuta como uma varinha mágica para abrir portais para diferentes mundos musicais.
Cada concerto une o repertório sinfônico tradicional a introduções "ocultas" de cada família de instrumentos, apresentando técnicas expandidas e paisagens sonoras que dão vida às histórias.
Qual é a identidade sonora de um espaço e como esse espaço molda quem nós somos?
Identidade, Música e Arquitetura foi uma iniciativa assinada pela Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-Campinas). Esta colaboração levou apresentações musicais — acompanhadas de introduções sobre a história de cada edifício — aos marcos históricos e tesouros arquitetônicos de Campinas.
Ao unir diversos repertórios e formações ao patrimônio da cidade — de fachadas famosas a edifícios históricos icônicos —, o projeto explorou a interação entre o som e o ambiente construído. Foi muito mais do que uma série de concertos; foi uma jornada para resgatar e celebrar a história local de Campinas, utilizando a música para dar alma às pedras e aos espaços que definem sua identidade cultural.
A arte ganha um novo fôlego quando universos diferentes colidem. Estes projetos focam na criação de experiências sensoriais que vão além do palco tradicional, misturando música com tecnologia, dança contemporânea, criações visuais e a voz humana.
Em colaboração com o compositor Jonathas Manzolli, esta jornada produziu um conjunto diversificado de obras — que vão desde a integração da dança flamenca com a percussão virtuosa em Viento y Mar, passando pela reimaginação da experiência sinfônica, até culminar na ópera multimodal Descobertas. Esta produção se destaca como o ponto alto da nossa colaboração: um momento definitivo em que a performance convida o público a vivenciar o som e o espaço de uma maneira completamente nova.
Com o propósito de desvendar os mistérios da música barroca e conectá-los à evolução da música de concerto, busco uma perspectiva contemporânea e dinâmica sobre a prática da interpretação histórica. Minhas edições críticas de óperas barrocas foram apresentadas no Festival della Valle d’Itria (Itália) e por diversos grupos de música antiga, unindo a pesquisa rigorosa ao palco moderno.
Como diretora e cravista, fundei em 2005 o Anima e Corpo Ensemble (Bloomington), um grupo especializado em instrumentos de época e dedicado a explorar a "alma" expressiva da ópera barroca. Essa trajetória solidificou minha presença no cenário da música antiga, abrindo caminho para convites de destaque, como a direção da ópera Tigrane, de Scarlatti, para o Bloomington Early Music Festival. Hoje, integro a prática da interpretação histórica como um diálogo entre as tradições barroca/clássica e as orquestras modernas, criando espaço para leituras ousadas, informadas e profundamente compartilhadas.